GRAMADO

GRAMADO

terça-feira, 18 de outubro de 2011


Hipóteses

Quando escrevo as minhas coisas é tudo no passado.
Parece até que já tenha morrido...
E daí?
Ou talvez seja a poesia, onde tudo não morre...






[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]

sexta-feira, 2 de setembro de 2011


"A minha droga é um cocktail de liberdade, vida
selvagem e conhecimento verdadeiro".


(Paulo Barreiros)




sábado, 27 de agosto de 2011




Hoje não escondo nada do que sinto e penso, e às vezes
também sofro com isso, mas ao menos não compactuo mais
com um tipo de silêncio nocivo: o silêncio que tortura o outro,
que confunde, o silêncio a fim de manter o poder num
relacionamento.


 (Martha Medeiros)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Maitê Proença

                                         


O amor da minha vida eu encontrei, tem nome, é de carne e osso, e me ama


também.  Agora falta encontrar alguém com quem possa me relacionar. É que o


homem da minha vida não cabe em mim e eu não caibo nele. Não basta que a


gente se queira. Não basta nossos namoros, os rompimentos e a teimosia de


desejar mais daquilo que não há de ser. Não presta que ele me visite pra acabar


com as saudades e fuja correndo de pernas bambas e um bumbo no peito. Não


importa que eu esqueça meu nome depois, nem que me perca num oco, ou que


os sentimentos corram de ambos os lados, intensos e desarvorados. Não basta


que haja amor para se viver um amor. Eu e ele somos as cruzadas da idade


média, o Osama e o Tio Sam, o preto e o branco da apartheid, o falcão e o lobo,


o Feitiço de Áquila. Seus mistérios me perturbam e minha clareza o ofusca.


, mas quando eu falo vem, ele entende vai. Enquanto ele avista o mar eu olho pra


montanha. Quando um se sente em paz o outro quer a guerra. É preciso me


traduzir a cada centímetro do caminho enquanto ele explica que eu também não


entendi nada. Discordamos sobre o tempo, o tamanho das ondas, a cor da


cadeira. O desacerto é de lascar, e não há cama que resista a tantas


reconciliações - um dia a cama cai.
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Pablo Neruda


Para mi corazón basta tu pecho,
para tu libertad bastan mis alas.
Desde mi boca llegará hasta el cielo
lo que estaba dormido sobre tu alma.
Es en ti la ilusión de cada día.
Llegas como el rocío a las corolas.
Socavas el horizonte con tu ausencia.
Eternamente en fuga como la ola.
He dicho que cantabas en el viento
como los pinos y como los mástiles.
Como ellos eres alta y taciturna.
Y entristeces de pronto como un viaje.
Acogedora como un viejo camino.
Te pueblan ecos y voces nostálgicas.
Yo desperté y a veces emigran y huyen
pájaros que dormían en tu alma.

[Soneto in Cem poemas de Amor]



Para meu coração basta-me teu peito,
para tua liberdade basta, minhas asas.
De onde minha boca chegará até o céu
o que estava entorpecido sobre tua alma.
É em ti a ilusão de cada dia.
Chegas como o orvalho das corolas.
Socava o horizonte com tua ausência.
Eternamente em fuga como a onda.
Eu falei que cantavas com o vento
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles é alta e taciturna
e entristeces de pronto, como uma viagem.
Acolhedora como um velho caminho.
Te povoam ecos e vozes nostálgicas.
Eu despertei e às vezes migram e fogem
os pássaros que adormeciam em tua alma.

                                                  Pablo Neruda

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

SOLIDÃO POR CHICO BUARQUE DE HOLANDA



Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.

solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....
                                 
                                









Vive mais feliz...

Vive mais feliz, quando se tem olhos capazes de escutar o 



canto amoroso da simplicidade. 



É nas miudezas que tudo aquilo que realmente 




importa se revela com maior nitidez."




(Ana Jácomo)