GRAMADO

GRAMADO

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012




Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta. A gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto... Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.

-
John Lennon










Há instantes...

Há instantes que a gente se cala diante da emoção de cada gesto que recebe, e a gente percebe que cada olhar, cada traço... chega com a mesma delícia de um abraço. ♥




Citação

Ninguém nasce odiando outra pessoa

pela cor de sua pele,

ou por sua origem, ou sua religião.

Para odiar, as pessoas precisam aprender,

e se elas aprendem a odiar,

podem ser ensinadas a amar,

pois o amor chega mais naturalmente

ao coração humano do que o seu oposto.

A bondade humana é uma chama que pode ser oculta.



Jamais extinta.


(Nelson Mandela)




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012







De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.

Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.

Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.

De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.

Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.

De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.

[Arthur Rimbaud, A eternidade]


—

terça-feira, 18 de outubro de 2011


Hipóteses

Quando escrevo as minhas coisas é tudo no passado.
Parece até que já tenha morrido...
E daí?
Ou talvez seja a poesia, onde tudo não morre...






[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]